terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Apenas um sonho?




' Ela estava perdida em uma tempestade de neve. O vento assobiava tirando pedacinhos de gelo que vez ou outra espetavam os seus olhos. Foi cambaleando, os pés afundando em camadas daquela brancura fofa. Gritava por socorro, mas o vento não deixava que os seus gritos fossem ouvidos. Caiu e ficou ofegante na neve, perdida naquela imensidão branca, com o vento soando nos seus ouvidos. Olhava para trás, por onde havia passado, vendo que a neve estava apagando as suas pegadas. ‘agora sou um fantasma’ pensava. , ‘ um fantasma sem pegadas’. Voltou a gritar por socorro, com a esperança sumindo como as marcas dos seus passos. Desta vez, porém, houve uma resposta longínqua. Projetou os olhos com as mãos e deu um jeito de sentar-se na imensidão gelada. Além das cortinas flutuantes de neve, a mesma tinha a breve visão de algo se movendo. Um borrão de cor. Uma forma familiar se materializava vindo em sua direção. Tentou olhar nos olhos da criatura, mas nada via. Tremendo de frio, a mesma contraiu os olhos para que assim pudesse ver melhor. Nada viu. Apenas a sua imagem nítida no gelo, como se fosse um espelho. Uma embaçada silhueta. Focou os olhos em seu rosto. Um rosto pálido, sem vida. Aquele não era o seu rosto. Talvez a poeira de seu passado dolente pudesse inibir aquele momento de pura alucinação. Mas que diabos ela estava fazendo ali? Estava sonhando? Como aquele rosto pálido e sem vida sorria para ela agora? Um sorriso debochado, de desprezo. Aquela não era ela! Seria então o que ela havia se tornado? O que ia se tornar? O que era aquilo?! Como que de súbito, aquela imagem que outrora julgava ser a mesma, apontava um dedo para ela. E tudo ficou tão ofuscado, tão escuro. Acordou então, ofegante. A perfeição do antigo sonho era incomparável a qualquer pesadelo que já tivera até então. Abriu os olhos e viu só o escuro no quarto abafado. Queria dormir novamente, perder os sentidos completamente ou senti-los mais intensamente ... era inexplicável! Não queria estar no quarto.
O medo. Aquela fina linha que segurava seus pés no chão. A garota tinha medo de que esta se partisse e o mundo fosse para baixo com ela. Não era um medo comum. Não era aquele medo que sentimos diante de um perigo. Era o medo que sentimos por acordar todos dias. O medo de ter que se levantar. De sentir qualquer tipo de dor. Um medo especial e pior que o verdadeiro medo.
Queria continuar dormindo, porque assim talvez, pudesse sonhar, e mais aprofundadamente, fazer parte do irreal que sentia todos os dias. Que era viver nesse mundo de hoje.

Um mundo tão complicado ..

J.A.Matos.

4 comentários:

Ingrid Rodrigues disse...

ás vezes é tão bom viver no surrealismo de nossos sonhos!
lindo texto amg *-*

Anônimo disse...

"O castigo que não posso suportá-lo,
se o fosse, eu o suportaria.
Nem é.
Mas quem poderá suportar o dia?
Sua criação geme e suporta angústias,
tentação.
Quem a possais suportar?
Sofre, tudo espera, tudo suporta.
Haverá tempo em que não suportarão.
Fé. Jesus, O qual suportou a cruz,
homem que suporta com perseverança."

Edyx Silverhand, ascenso040106

Christina disse...

Ah que blog perfeito *-*
Amei,
ja estou seguindo,desculpa a demora, rs

Juliana A. Matos. disse...

Obrigada.³ *-*

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