terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Uma vez me disseram ...



“Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.”
José Saramago


Uma vez me disseram que sentimentos se perdem nas palavras e que estes deveriam ser transformados em ações. Em ações que tragam resultados. Entretanto, não me disseram que as vezes é tão difícil demonstrar certos sentimentos à algumas pessoas, porque estas não conseguem perceber isso através de demonstrações. E naquele momento, nós podemos perceber que não importa o que dissermos, um "eu te amo" soaria tão superficial, tão vago .. Não faria diferença alguma. De que adiantaria dizermos à essa pessoa que a amamos, se as nossas atitudes não lhes mostram isso? Isso é tão patético.

Uma vez me disseram que você não pode abrir o coração de outros, a menos que abra o seu. Isso é tão problemático... Como poderá uma pessoa abrir o seu coração se não tiver certeza que a outra também o fará? Muitas pessoas que eu conheço, ou até mesmo eu, agimos como se fôssemos o homem de lata. O mesmo vivia pela sua busca incansável por um coração. Pelo amor. Entretanto, nós não nos damos conta de que também somos "homens de lata". Buscamos incansavelmente um coração, um amor, porém, vivemos escondidos atrás das nossas armaduras. Das nossas máscaras. Temos um coração de ferro. Vivemos com sentimentos enferrujados e atitudes erradas que fazem com que as coisas certas tomem um rumo diferente tornando se coisas erradas. E o que era certo, acaba sendo duvidoso.

Uma vez me disseram que pessoas que demonstram fácil os seus sentimentos, acabam se tornando pessoas fracas e tornam-se vulneráveis à aquilo. Isso pode até ser verdade. Porque todas as pessoas que sabem o que você sente, um dia podem até usar isto contra você. Mas isso, não quer dizer que você deva se fechar em sua armadura e virar um homem de lata para sempre. Porque até mesmo o homem de lata, assumira que o mesmo precisava de um coração. E lembre-se, você é feito de carne. Não de lata. Mesmo que sangre, mesmo que seja dilacerado, não quer dizer que seja o fim. Se for, melhor do que ficar enferrujado no mesmo lugar para sempre.


Juliana de Alencar.


Purifica o teu coração ..




"Purifica o teu coração
antes de permitires que o amor entre nele,
pois até o mel mais doce
azeda num recipiente sujo."


Pitágoras

sábado, 18 de dezembro de 2010

Amor não se pede ..

"Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença?"

- Não, não dá pra dizer isso ..

" Ei, seu demente, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença?

- Não, você não pode dizer isso.




" Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença?

-Definitivamente, não, melhor não.



Amor não se pede, é uma pena.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito.
Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Mas amor, você sabe, amor não se pede.
Amor se declara: sabe de uma coisa?
Ele sabe, ele sabe."



Tati Bernardi

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um mundo melhor?

Trágico ..

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Apenas um sonho?




' Ela estava perdida em uma tempestade de neve. O vento assobiava tirando pedacinhos de gelo que vez ou outra espetavam os seus olhos. Foi cambaleando, os pés afundando em camadas daquela brancura fofa. Gritava por socorro, mas o vento não deixava que os seus gritos fossem ouvidos. Caiu e ficou ofegante na neve, perdida naquela imensidão branca, com o vento soando nos seus ouvidos. Olhava para trás, por onde havia passado, vendo que a neve estava apagando as suas pegadas. ‘agora sou um fantasma’ pensava. , ‘ um fantasma sem pegadas’. Voltou a gritar por socorro, com a esperança sumindo como as marcas dos seus passos. Desta vez, porém, houve uma resposta longínqua. Projetou os olhos com as mãos e deu um jeito de sentar-se na imensidão gelada. Além das cortinas flutuantes de neve, a mesma tinha a breve visão de algo se movendo. Um borrão de cor. Uma forma familiar se materializava vindo em sua direção. Tentou olhar nos olhos da criatura, mas nada via. Tremendo de frio, a mesma contraiu os olhos para que assim pudesse ver melhor. Nada viu. Apenas a sua imagem nítida no gelo, como se fosse um espelho. Uma embaçada silhueta. Focou os olhos em seu rosto. Um rosto pálido, sem vida. Aquele não era o seu rosto. Talvez a poeira de seu passado dolente pudesse inibir aquele momento de pura alucinação. Mas que diabos ela estava fazendo ali? Estava sonhando? Como aquele rosto pálido e sem vida sorria para ela agora? Um sorriso debochado, de desprezo. Aquela não era ela! Seria então o que ela havia se tornado? O que ia se tornar? O que era aquilo?! Como que de súbito, aquela imagem que outrora julgava ser a mesma, apontava um dedo para ela. E tudo ficou tão ofuscado, tão escuro. Acordou então, ofegante. A perfeição do antigo sonho era incomparável a qualquer pesadelo que já tivera até então. Abriu os olhos e viu só o escuro no quarto abafado. Queria dormir novamente, perder os sentidos completamente ou senti-los mais intensamente ... era inexplicável! Não queria estar no quarto.
O medo. Aquela fina linha que segurava seus pés no chão. A garota tinha medo de que esta se partisse e o mundo fosse para baixo com ela. Não era um medo comum. Não era aquele medo que sentimos diante de um perigo. Era o medo que sentimos por acordar todos dias. O medo de ter que se levantar. De sentir qualquer tipo de dor. Um medo especial e pior que o verdadeiro medo.
Queria continuar dormindo, porque assim talvez, pudesse sonhar, e mais aprofundadamente, fazer parte do irreal que sentia todos os dias. Que era viver nesse mundo de hoje.

Um mundo tão complicado ..

J.A.Matos.

Eu nunca deixo ...





(...)

Eu nunca deixo de procurar você.
Eu nunca deixo de acreditar que você exista,
e eu nunca deixo de acreditar que você
faz o mesmo a minha espera.


Porque você me amou primeiro.


Porque Deus amou o mundo de tal maneira
que deu o seu filho unigênito,
para que todo aquele que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Gosta mesmo de mim?


Trágico.

Is this Love?

I need you by my side to tell me it's all right
'Cause I don't think I can take it anymore


Is this love that I'm feeling?
Is this the love that I've been searching for?
Is this love or am I dreaming?
This must be love
'Cause it's really got a hold on me

Can't stop the feeling
I've been this way before
But with you I've found the key to open any door ..


~
Is this love ♫

domingo, 28 de novembro de 2010

Amores impossíveis ...


Desculpem o trocadilho infame, mas a vida é feita de altos e baixos. Altos, fortes, morenos e sensuais, aqueles possíveis e é claro .. aquele baixinho, raquítico, meio esquisito, que não sai da sua cabeça.
(Tati Bernadi)

Claro, a teoria da conspiração tem que prevalecer. Correto?

E nada melhor do que um jogo de impossibilidades para esquentar uma paixão. Nesses jogos você tem espaço para criar a história como quiser, ganha poder, inventa, aperta pause, reseta, recomeça, brinca, pula. Ele é seu. Seu personagem. Você que controla ele. Você que decide o que tem que fazer, o que tem que conquistar. Mas, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte:

estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?

Talvez, o " último chefão", seja você mesmo. As suas incertezas, o seu medo, o seu egoísmo. Nós somos nossos maiores inimigos e em cada fase de nossa vida, nós temos que vencer um desses problemas, caso contrário, como conseguiremos vencer? Como seremos felizes? Como saberemos se não dará certo se não tentarmos? Se não agirmos?

Há certas coisas na vida que você não precisa entender. Você precisa agir, precisa sentir, viver. Por isso, aja mais, fale menos, sinta mais, aproveite cada minuto como se fosse o último, ame o outro como a você mesmo, perdoe, arrisque mais, e com o tempo .. Tudo aquilo que você não entendia, se tornará óbvio. Tão óbvio, que se tornará patético. E você pensará " Caramba, como eu não percebi isso antes? "

Afinal .. O que é a vida, se não apenas um jogo de sobrevivência,
ao qual você não sairá vivo dela?
Se tornarmos algo impossível, isso de fato, será impossível.
As coisas se tornam mais acessíveis quando acreditamos nelas ..
Porque como diria Renato Russo .. "Quem acredita sempre alcança "
Apenas VIVA!

Juliana de Alencar.


Abra o vidro do seu coração,
o amor, gera atitude,
comece a agir, chega de falar.
Só com palavras, não se pode mudar.
(Oficina G3)

Quase perfeito ..


Quase perfeito, é muito medíocre ..

" Não, eu não quero ser medíocre, não. Deus não me deu esse estômago enjoado, essa alegria encantada de vida e esse coração disparado à toa. Não me deu esses olhos que muitas coisas vêem e muitas coisas ignoram. Não me deu essa boca que muita coisa tem pra falar mas sempre se cala. Eu devo ser especial. Eu devo ter algum talento. Não, eu não quero ser medíocre, não eu não quero desistir, não quero optar pelo caminho mais fácil, não quero que a energia negativa me enterre. Faltava um romance entre a gente, falsamente preenchido por filmes e músicas românticas. Faltava um cansaço de prazer que me desse preguiça de olhar para outros homens. Eu não sei se ele existe, da mesma forma que eu não sei se um dia serei uma grande redatora. Só sei que estou preparada para quebrar a minha cara, embora eu sempre tenha fugido dessas responsabilidades. Porque afinal .. eu posso ser tudo nessa vida, mas eu não sou medíocre."

texto adaptado.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Esperança ..


- Schroeder… por que você nunca me mandou flores?
- Porque eu não gosto de você!
- Você não gosta de mim, né Schroeder?
- Não. Na verdade eu nunca gostei de você e é provável que eu nunca venha gostar.
- Mas não vamos deixar isso atrapalhar o nosso eventual casamento não é? *-*


( trágico .. )

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Wherever you go ..


Whatever you do
I will be right here waiting for you ..

Whatever it takes
Or how my heart breaks,

I will be right here waiting for you


Right Here Waiting, Richard Marx

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Eu não tenho um cérebro...


Espantalho: - Eu não tenho um cérebro... só tenho palha.
Dorothy: - Como você pode falar se você não tem um cérebro?
Espantalho: - Eu não sei... Mas algumas pessoas sem cérebro falam de monte... não é?
Dorothy: - É, eu acho que você está certo.."


O mágico de oz.

Realmente, existem muitas pessoas por aí que falam demais.
Agora você já sabe o porquê.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Aquele menino ..

Aquele menino foi internado numa clínica, dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças, dos sonhos que se configuram tristes e inertes, como uma ampulheta imóvel, que não se mexe, não se move e não trabalha.



" ... Clarisse está trancada no banheiro, e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete, deitada no canto, seus tornozelos sangram e a dor é menor do que parece, porque quando ela se corta ela se esquece que é impossível ter da vida calma e força. E por viver em dor, o que ninguém entende, e tentar ser forte a todo e cada amanhecer. E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito, Clarisse sabe que a loucura está presente e sente a essência estranha do que é a morte, e sabe que esse vazio ela conhece muito bem, porque de quando em quando é um novo tratamento. Mas o mundo continua sempre o mesmo .. A falta de esperança e o tormento de saber que nada é justo e pouco é certo, e que estamos destruindo o futuro e que a maldade anda sempre aqui por perto. A violência e a injustiça que existe contra todas as meninas e mulheres em um mundo onde a verdade é o avesso e a alegria já não tem mais endereço ... "

Clarisse está trancada no seu quarto,
com seus discos e seus livros, seu cansaço ..

... Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito ...

Mas .. Clarisse só tem 14 anos...

( Renato Russo )

Venha ..



Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...
Renato Russo

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os grandes amores ..


São assim mesmo.
Eles nos dão o caminho da emoção,
mas os sentimentos de verdade são apenas nossos,
ninguém copia, ninguém leva, ninguém divide ...

Eles não sabem fugir para o lugar sagrado do peito.
Eles não sabem dormir num lençol branco e puro
e nem sonhar com tudo o que é bom na vida,
Eles não sabem abraçar um amigo de verdade e encontrar um grande amor."



Tati Bernardi

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Recordei-me ..

Ontem a noite, após chegar da casa de uma grande amiga, ao qual admiro bastante, sentei-me no sofá de minha casa, olhando para a televisão sem ver. Comecei a pensar em assuntos que tivera logo cedo com a mesma. Assuntos nostálgicos, de nossa época de escola. Assuntos estes, que fez com que eu me recordasse rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi. Certas coisas que, por ainda não estar preparada para as mesmas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente ou até mesmo, por ser uma pessoa inconstante, não sei ao certo.
Recordei-me de amigos e parentes distantes. Amigos que eu julgava meus melhores amigos na época, e que hoje, passam por mim e nem me dão "bom dia". Lembrei d'aqueles que eu sempre deixo pra visitar depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim. Ou, até então, por terem feito escolhas diferentes das minhas. Sempre penso " Não, depois eu passo lá, agora não dá, que tal amanhã? Depois eu ligo! " Sempre penso “mês que vem terei contato com eles .. Mas .. E se não tiver mês que vem? Como eles um dia saberão que de alguma forma, foram importantes para mim?
Terei eu então, uma outra oportunidade?

Feliz do homem ..


"Feliz do homem que sabe valorizar uma mulher...
Este sim, pode chamá-la de sua.
Não pelo sentimento de posse, é claro,
mas por ela não querer ser de mais ninguém "

sábado, 30 de outubro de 2010

Existe apenas um pecado!

Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simples mente uma variação do roubo.

— Quando você mata um homem, está roubando uma vida — disse baba.
— Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça.

— Não há ato mais infame do que roubar, Amir — prosseguiu ele. — Um homem que se apropria do que não é seu, seja uma vida ou uma fatia de naan...
Cuspo nesse homem...



O caçador de Pipas.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Não importa ...



.. o quanto você tenta ser boa ..
você não pode esconder
uma garota má. . .







                                Gossip Girl

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Lua ...


Eu lembro como se fosse hoje

Seu cabelo ruivo,

suave como seda

Sendo espalhado pelo ar

Seu rosto,

como sempre belo,

causava meu desejo

Com olhos que me atraíam fatalmente

Que me perseguiam

Que sabiam de meu desejo

Brilhantes,

pela luz da Lua

Lua que presenciou o crime


Apenas a Lua

Lua que não podia gritar por mim

Lua que já deve ter presenciado esse crime mil vezes

Lua que por séculos eu vejo

Aquela Lua que me viu

E não me ajudou

Lua que hoje vê a mim cometendo o mesmo crime

Lua que não te ajudará também ..

minha criança. .


sábado, 23 de outubro de 2010

Quanto tempo demora?



- Não sei. Um pouco. .
- Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida..
- Maçã ácida?

- Um dia, quando eu era bem pequenininha mesmo, subi em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes e ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs. E me lembro daquele dia, porque mesmo que tivesse demorado, eu não teria ficado doente. Depois daquele dia, eu aprendi a esperar. Mesmo que demore, o tempo será recompensado. Sempre quando quero muito uma coisa,

" eu espero as maçãs amadurecerem".


J.A. Matos.

Adaptação, caçador de pipas.

Hoje me refiz ..




Saí nas ruas com um sorriso enorme estampado no rosto. Garanti a mim mesma que tudo estava bem. É claro. Sempre esteve. Eu acho. Ninguém , entretanto, pôde imaginar que naquele momento, a vontade que eu tinha era de gritar. Mas não de alegria, se é que me entende. Tem vezes que é tão gratificante enganarmos a nós mesmos . . . tão simples. Ninguém nunca sabe o que se passa dentro de nós. É claro, por que houvera de saber? Nada mais importa. Não mesmo. E por que eu me importaria?

Porque é a minha vida que está em jogo . .


Juliana de Alencar.

sábado, 16 de outubro de 2010

O que você viu naquele cara?


- O que você viu naquele cara?
- Cara?! Que cara?! - Ana arqueava as sobrancelhas sem entender ao certo o que Lúcio quisera dizer, assim, de súbito. Era horário do almoço, e nessas horas, o pátio da escolha ficava apinhado de gente, e, devido a isso, ficava um pouco impossível de entender algo se a pessoa não gritasse. Mas não era isso, Ana estava se fazendo de desentendida naquele momento.

- Aquele Cara!!! - Lúcio apontava para um garoto de óculos. Altura mediana, olhos castanhos amendoados. Parecia muito tímido, absorto em seus pensamentos com algo que não seria de interesse algum de nenhuma outra pessoa. Exceto de Ana. Por alguns instantes, o mesmo olhou em direção dos dois, como se percebesse que estes falavam dele.

- Não sei que graça você viu nele! Ele é tão .. tão sem sal, tão normal Ana! - Lúcio falava mais em forma de súplica do que de afirmação. Ana riu. De certa forma, se divertia com aquilo. Passou os seus livros para o outro braço, olhando em seguida na direção do rapaz mencionado, fazendo com que seus olhares se encontrassem. Seu rosto ficara rubro, e não aguentando encará-lo, a mesma abaixou a cabeça, desconcertada.

- Ana .. Olha pra mim!!! O que aquele idiota tem que eu não tenho?! Qual é o problema?! - Lúcio gritava desesperado. Desde que era uma criança que agia com agressividade, caso as coisas não saíssem de seu modo. Sentia-se com o ego ferido, por ter sido trocado por um garoto que de acordo com o que pensara, não possuía atrativo algum. Isso o irritara, já que este era acostumado a ter todas as garotas aos seus pés. Menos Ana.

Dessa vez, ele puxou o seu braço, deixando os livros desta caírem com um estrondo no chão. Começou a falar mais alto do que seria possível, fazendo um grupo de olhares sobressaltados olharem na direção dos mesmos. E mais uma vez, Lúcio perguntou-lhe:

- Ana, o que aquele idiota tem, que eu não tenho?

Ana encarou Lúcio com um olhar frio e sem vida. Seus olhos podiam ficar bastante gelados quando ela queria. Livrou-se com agressividade dos braços do mesmo, passando a mão pelo vestido, agora amarrotado. E disse-lhe com os dentes semi-cerrados:

- Aquele "idiota" tem, o que você NUNCA vai ter Lúcio! - Proferiu isso abaixando-se para pegar os seus livros, sentindo que estava sendo observada por um monte de alunos que olhavam curiosos em sua direção. Lúcio, ainda irritado, sem entender ao certo o que Ana quisera dizer com aquilo, tornou a pergunta-lhe:

- O que ele tem que eu não tenho?! Ou até mesmo o que eu nunca terei?!

Ana levantou-se passando a mão pelos seus livros para limpá-los, e sem se virar, lançou-lhe mais uma vez um olhar frio por cima dos ombros e proferiu pausadamente:

- O meu AMOR Lúcio!


Juliana de Alencar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Whatever, you're back . . .




Certa vez , conversando com um amigo, este me dissera que gostava de uma garota, entretanto , o que ele sentia pela mesma não era recíproco. Esta ainda lhe disse que o mesmo não poderia exigir o amor de ninguém, tampouco entrar no coração de uma pessoa e implantar o amor ali. Confesso que naquele momento, senti-me o "ser mais inútil" da face da terra. Queria dizer-lhe palavras que pudessem mandar embora a dor que ele estava sentindo, entretanto, fiquei em silêncio. Não consegui pensar em nada, a não ser no que ele me dissera. Após alguns instantes, ele me olhou nos olhos, com um sorriso triste no canto dos lábios e perguntou-me - " Jully .. Por quê que todas as pessoas que amamos, sempre têm que ir embora?! - Passei a mão pelos meus cabelos e encarei o chão. Procurava uma resposta, porém, não conseguia pensar em nada. Em nada que pudesse consolá-lo. Lancei-lhe um olhar confuso e embaraçado, e ele retribuiu franzindo as sobrancelhas. Sentia-se realmente magoado.

Mais tarde, naquele mesmo dia, fui para a cama mais cedo, ( Embora eu tenha o costume de dormir super tarde) , fiquei em torno de uma ou duas horas olhando para o teto do meu quarto, pensando somente naquela conversa que eu tivera mais cedo, e pensando no quanto eu fora inútil naquela situação. Foi então, que eu pensei em Deus. Pensei que da mesma forma que ele não exige o meu amor, eu não posso, simplesmente, exigir o amor de ninguém. Ele nos deu o livre arbítrio para "escolhermos" o quê e a quem amarmos. Ele não exige o nosso amor, mas mesmo assim nos ama incondicionalmente, mesmo nós rejeitando-o todos os dias. De qualquer forma, Ele sempre volta. Ele sempre volta porque nos ama. Ele demonstra esse amor por nós nos mínimos detalhes, e nós, como "perfeitos observadores", nunca reparamos nisso.

Naquela mesma hora, eu arregalei meus olhos, e percebi que finalmente conseguira chegar a uma resposta. A uma resposta de uma pergunta que havia "abalado o meu psicológico".
- "As pessoas que realmente nos ama, sempre voltam. Independente da situação" .

Na manhã seguinte, fui correndo ao seu encontro , feliz por ter achado, finalmente, uma resposta para o que ele me perguntara. Ao dizer-lhe que eu havia pensado no assunto e achado uma resposta, ele aguardou em silêncio, até eu dizer a que conclusão eu chegara.- " Aqueles que realmente nos ama, sempre voltam. Independente da situação, eles sempre vão voltar. " - Ele levantou uma sobrancelha e parecia que naquele momento ele me observava atentamente. Aquilo meio que me irritou. É claro. Foi então, que ele me abraçou, dando-me um beijo no alto de minha cabeça. A principio, não entendi exatamente o "porquê" de ele ter feito isso, porém, este proferiu :"

- Eu sei disso .. Porque afinal . . VOCÊ VOLTOU!!


Juliana de Alencar. (JAM)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Era uma vez ...

As histórias maravilhosas começam assim. Não importa o tamanho delas. Se começam por era uma vez, são sempre maravilhosas. Pois era uma vez um homem. Um homem pobre que de precioso só tinha um cálice. Nele, ele bebia a água do riacho que passava próximo à sua casa. Nele, bebia leite, quando o conseguia, em troca de algum trabalho. Era pobre, mas feliz. Feliz com sua esposa, que o amava. Feliz em sua pequena casa, que o sol abraçava nos dias quentes, tornando-a semelhante a um forno. Feliz com a árvore nos fundos do terreno, onde escapava da canícula. Saía pelas manhãs em busca de algum trabalho que lhe garantisse o alimento a ele e à esposa, a cada dia. Assim transcorria a vida, em calma e felicidade. Nas tardes mornas, quando retornava ao lar, era sempre recebido com muita alegria. Era um homem feliz. Trazia o coração em paz, sem maiores vôos de ambição. Então, um dia... Sempre há um dia em que as coisas acontecem e mudam o rumo da História. Pois, nesse dia, nem ele mesmo sabendo o porquê, uma lágrima caiu de seus olhos, dentro do cálice. De imediato, o homem ouviu um pequeno ruído, como de algo sólido, que bateu no fundo do recipiente. Olhou e recolheu entre os dedos uma pérola. Sua lágrima se transformara em uma pérola. Então, o homem pensou que poderia ficar muito rico se chorasse bastante. Como não tinha motivos para chorar, ele começou a criá-los. Precisava se tornar uma pessoa triste, chorosa, para enriquecer. Com o dinheiro da venda das pérolas pensava comprar lindas roupas para sua esposa, uma casa mais confortável, propriedades, um carro. E assim foi. Ele começou a buscar motivos para ficar triste e para chorar muito. Conseguiu muitas riquezas. Ele poderia tornar a ser feliz. No entanto, desejava mais. As pequenas coisas que antes lhe ofertavam alegrias, agora, de nada valiam. Que lhe importava o raio de sol para se aquecer no inverno? Com dinheiro, ele mandou colocar calefação interna em toda sua residência. Por que aguardar os ventos generosos para arrefecer o calor nos dias de verão? Com dinheiro, ele pediu para ser instalado ar condicionado em toda a sua casa. E no carro, e no escritório que adquiriu para gerir os negócios que o dinheiro gerara. E a tristeza sempre precisava ser maior. Do tamanho da ambição que o dominava. Nunca era o bastante. Os afagos da esposa, no final do dia e nos amanheceres de luz deixaram de ser imprescindíveis. Ele não podia perder tempo. Precisava chorar. Precisava descobrir fórmulas de ficar mais triste e derramar mais lágrimas. Finalmente, quando o homem se deu conta, estava sem esposa, sem amigos. Só... Com seu dinheiro, toda sua imensa fortuna. Chorando agora, estava tão desolado, que nem mais se importava em despejar o dique das lágrimas no cálice. A depressão tomara conta dele e nada mais tinha significado.




A história parece um conto de fadas. Mas nos leva a nos perguntarmos quantas vezes desprezamos os tesouros que temos, indo à cata de riquezas efêmeras. Pensemos nisso e não desperdicemos os valores verdadeiros de que dispomos. Nem pensemos em trocá-los por posses exageradas.

A tudo confiramos o devido valor, jamais perdendo nossa alegria.

Haveres conquistados à troca de infelicidade somente geram infelicidade.


domingo, 3 de outubro de 2010

Noite de insônia ...



São três horas da madrugada, e eu estou aqui, com mais uma de minhas insônias, algo que não é mais novidade. Tomei uma xícara de café, já que não ia dormir mesmo. Amanhã, ou melhor, hoje é segunda-feira, e eu sei que com certeza terei trabalho para me levantar da cama. Isso SE, eu conseguir pegar no sono. Tentei ler um livro para passar o tempo, mas parece que as palavras não estavam fazendo sentido algum. Pareciam estar embaçadas, não sei. Levantei de minha cama, ainda com a xícara de café em mãos e abri a janela do meu quarto. Comecei a contemplar o céu. Está escuro. A lua brilha de uma forma tão intensa, tão linda que me deixa até sem palavras para descrevê-la. Gosto de admirar o céu. Ao fazer isso, começo a ter pensamentos nostálgicos. Pensamentos felizes. Penso em pessoas de quem eu gosto. Será que estão todas dormindo? ou será que estão se divertindo? Me encosto na janela, e me pergunto se nesse momento tem alguém pensando em mim. Ou será que tem alguém sonhando comigo? Tomo mais um gole do meu café, esboçando um suave e cínico sorriso no canto dos lábios. Seria engraçado invadir os sonhos e a privacidade de alguém que eu gosto. O que ela estaria pensando? O que estaria sonhando? Eu poderia tentar descobrir os segredos dela. Não, isso não seria legal, eu sei. Mas devo admitir que seria divertido. Levanto meus olhos para contemplar o céu mais uma vez. E a escuridão se torna tão maior. Tão profunda. Amanhã provavelmente terei alguma alegria. Pelo menos eu espero ter. De qualquer forma .. Os dias são tão imprevisíveis.

J. A. Matos.

sábado, 2 de outubro de 2010

A menina ruiva ..



Charlie Brown: Eu acho que o almoço é a pior hora do dia para mim. Sempre tendo que me sentar aqui. Claro que, às vezes, as manhãs não são tão agradáveis também. Acordar e saber se alguém realmente sente falta de mim enquanto eu não saio da cama. Então há a noite, também. Deitado e pensando em todas as coisas estúpidas que eu fiz durante o dia. Bem, o almoço está entre os piores momentos do dia para mim. Bem, acho melhor eu ver o que eu tenho. A manteiga de amendoim. Alguns psiquiatras dizem que as pessoas que comem sanduíches de manteiga de amendoim são solitários ... Eu acho que eles estão certos. E quando você está realmente sozinho, a manteiga de amendoim adere ao telhado de sua boca. Há pouco que a garota linda de cabeça vermelha comeu seu almoço por ali. Eu me pergunto o que ela faria se eu fosse lá e perguntasse se poderia sentar e almoçar com ela ... Ela provavelmente riria na minha cara ... é difícil. Há um lugar vazio ao seu lado no banco. Não há nenhuma razão para eu não poder simplesmente ir lá e sentar. Eu poderia fazer isso agora. Tudo o que tenho a fazer é levantar... Eu estou em pé! ... Eu estou sentado. Eu sou um covarde. Eu sou muito é um covarde, ela não pensaria mesmo em olhar para mim. Ela quase nunca olha para mim. Na verdade, eu não consigo me lembrar de ter visto alguma vez ela olhando para mim. Por que ela não deveria olhar para mim? Existe alguma razão no mundo para ela não olhar para mim? Será que ela é tão grande, e eu sou tão pequeno, que ela não pode poupar um pouco de tempo? ... Ela está olhando pra mim! Ela está olhando pra mim! (Ele coloca o lancheira sobre sua cabeça). ... Hora do almoço é um dos piores momentos do dia para mim. Se essa menina ruiva está olhando para mim com esta lancheira estúpida sobre a minha cabeça, ela deve pensar que eu sou o maior tolo do mundo. Mas, se ela não está olhando para mim, então talvez eu pudesse tirá-lo de forma rápida e ela nunca iria perceber isso. Por outro lado ... Eu não posso dizer se ela está olhando ou não, até que eu tire ela! Então, novamente, se eu nunca tirá-lo eu nunca vou ter que saber se ela estava ou não olhando. Por outro lado ... é muito difícil para respirar aqui. (Ele tira a bolsa) Ufa! Ela não está olhando para mim! Eu me pergunto por que ela nunca olha para mim.. Oh, bem, outra hora do almoço com mais de 2863 tentativas frustrante... só para ir .. trágico..

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Eles dizem que nós garotas ...


Eles dizem que nós garotas, somos como músicas bonitas ..
Somos como canções inesquecíveis!
Você nunca pensou em mim como uma melodia que você gosta...?


- Fala de Lucy para Schroeder, no episódio
"Lucy ama Schroeder"

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Às vezes ..




Às vezes eu fico um pouco solitária, e você nunca está por perto.
Às vezes eu me sinto um pouco cansada de ouvir o som das minhas próprias lágrimas.
Às vezes eu me sinto um pouco aterrorizada, quando não tenho ninguém pra contar.
Às vezes eu me sinto um pouco sufocada, sem ter como e com quem desabafar.
De vez em quando eu preciso de ajuda e me deito como criança sem seus braços.
Às vezes sinto um pouco de raiva e sei que tenho que sair e chorar.

E eu preciso de você essa noite. E eu preciso de você mais do que nunca.
E se você simplesmente me abraçar forte, nós ficaremos abraçados para sempre
E estaremos somente fazendo o certo, porque nunca estaremos errados.
Juntos nós poderemos levar isso até o limite.
Seu amor é como uma sombra sobre mim o tempo todo
Eu não sei o que fazer, pois eu estou sempre no escuro.


( ... )

sábado, 18 de setembro de 2010

I can't feel my senses . . .





Estou morrendo de vontade de recuperar o meu fôlego. Eu perdi toda minha confiança, embora eu certamente tenha tentado dar a volta. Por que será que eu nunca aprendo!? Será que ele ainda pode ver o meu coração? Eu não consigo sentir os meus sentidos. Como ele consegue me deixar tão alterada apenas com um olhar? As vezes tento não transparecer nada, mas parece que ele conhece todas as minhas expressões. Como ele consegue deixar o seu perfume impregnado na minha camisa? Como ele consegue, com um só toque, me arrebatar de mim mesma, e viver pra ele? Como ele consegue fazer com que ele seja meu primeiro e último pensamento do dia? O modo como ele consegue me deixar "caídinha" por ele, meio que me irrita. Os sentimentos que eu tive naquela época, só aumentaram os sentimentos que eu tenho hoje. Será que esses sentimentos algum dia se achegarão a ele?


Juliana de Alencar.

Texto dedicado à Ingrid Rodrigues ~ *-*

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

' Tempestades podem surgir ..


Tempestades podem surgir e estrelas colidirem, mas eu te amarei até o dia da minha morte. Se tivesse que morrer neste exato momento não temeria, pois nunca conheci plenitude como estar ao seu lado, sentindo seu calor, amando cada sussurro seu...Pra que viver a vida de sonho em sonho?



The greatest thing you'll ever learn,
is just to love and be loved in return.


Moulin Rouge

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

At least I'm with you ..


Jack: Rose! You're so stupid. Why did you do that, huh?
Rose: You jump, I jump, right?
Jack: Right.
Rose: Oh God! I couldn't go. I couldn't go, Jack.
Jack: It's all right. We'll think of something.
Rose: At least I'm with you.



Titanic.

i don't wanna miss a thing ..


Porque mesmo quando eu sonho com você.
O sonho mais doce nunca seria o suficiente.
E eu ainda sentiria a sua falta, e eu não quero perder nada

Repousando perto de você, e sentindo o seu coração bater,
E imaginando o que você está sonhando.
Se sou eu quem você está vendo,
Então eu beijo seus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos,
Eu só quero ficar com você. . .
Neste momento para sempre, sempre e sempre

Não quero perder um sorriso. Não quero perder um beijo
Eu só quero ficar com você. Bem aqui com você, apenas assim
Eu só quero te abraçar forte. Sentir seu coração tão perto do meu
E só ficar aqui neste momento. Por todo o resto dos tempos ..


( Aerosmith - i don't wanna miss a thing )

sábado, 11 de setembro de 2010

Não pode chover o tempo todo ..



.. O céu não pode cair para sempre. E embora a noite pareça longa, suas lágrimas não podem cair eternamente. ''
Eram estas palavras que Sophia lembrava-se todas as vezes que passava por aquela praça. Bem sabia que isto lhe fazia mal, já que a cada momento, a cada lugar, a cada cheiro ou qualquer som, lembrava-se dele. Mas parece que esta não queria livrar-se desses sentimentos obscuros, já que só fazia coisas que pudessem lembrar-se de seu amado. Sentia-se cansada e adormecida em um oceano profundo. Ela não queria chorar, mas naquele momento permitiu que chorasse e dissesse que o amava. Bem sabia que não ganharia nada com isso. Havia feito uma promessa pra ela mesma, de que não choraria por ninguém. Mesmo que isso lhe partisse o coração. Mas ela o amava. E Deus sabe que queria odiá-lo. Mas como poderia odiá-lo tanto, se ainda não o amasse? Havia vivido cada momento especial ao lado dele, ao qual não vivera com nenhuma outra pessoa. Fechara os olhos lentamente, sentindo uma suave brisa beijar o seu rosto fazendo com que seus cabelos ruivos dançassem com o passar deste. A ausência dele a matava. Aos poucos, ela sentia que estava caindo em um buraco negro. Um buraco negro, ao qual somente ele poderia tirá-la de lá. Mas ele não iria. E ela sabia disso. Só quem poderia fazer isso era ela mesma. Uma lágrima cristalina deslizava sobre o seu rosto pálido. Até quando ela iria continuar a pensar nele? Até quando ela iria viver na escuridão, sem ao menos uma luz para guiá-la até o seu caminho? Sentia-se perdida, já que o seu farol já não estava mais ali, e, na ausência da luz, o que prevalece é a escuridão, não é mesmo? Sentia que não teria forças para se erguer do chão. Como ele teve coragem de fazer isso com ela? Apesar dele ter ido embora, havia deixado uma parte dele dentro dela. Isso a entristecia. Cada vez que olhasse para aquela criança, iria se lembrar dele. E ela não queria isso. Apesar de ama-lo. Sempre fora decidida. Sempre conseguira controlar os seus sentimentos, mas e agora? Por que se sentia tão frágil? Seus amigos não a entendiam. Por que houvera de entender? Ninguém havia passado pelo o que ela passou, ou melhor, pelo o que ela está passando. Ninguém, na realidade, se importava com os seus sentimentos. Um bando de hipócritas! Pensava. Sophia estava decidida naquela noite, antes de ele ir embora, a lhe dizer que estava grávida. Porém, não teve oportunidade. E nunca terá. Se tivesse tido oportunidade, teria pedido para ele ficar em casa naquela noite. Se tivesse previsto de que ele a deixaria, teria lhe implorado para não entrar naquele carro. SE soubesse. Em parte, a culpa era sua. Bem sabia.
Colocou sua mão direita no bolso de seu sobretudo, tirando uma rosa vermelha. Levou-a até os seus lábios rosados, plantando um suave beijo ali. Caminhou lentamente até o banco da praça, aonde o conhecera. Tinha boas lembranças daquele Lugar. Colocou a rosa em cima do banco, fitando - a por uns instantes. Era como se naquele momento, ela sentisse a sua presença. Como se ele estivesse sentado naquele banco. Por um momento, esboçou um suave sorriso, porém tristes dentre os lábios, proferindo os seguintes dizeres:

- Embora você não esteja mais aqui .. O meu amor e os meus desejos permanecem inalterados. Eu sempre me lembrarei de você. Como uma criança pobre, que não esquece do seu primeiro brinquedo. Brinquedo este ao qual ela almejou tanto para ganhar. Você será o meu eterno amor .. E eu, eu serei eternamente sua ..

Descanse em paz ... Meu amor.

.. Darling, you know I will love you 'til the end of time ..

Juliana de Alencar.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tu tornas - te um eu . .


" Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo. Tu tornas-te um eu. É tão difícil falar e dizer coisas que nunca podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real, entre nós dois ? Dificílimo contar: olhei pra você por uns instantes, tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita .. Eu chamo isso de estado agudo de felicidade."

Clarice Lispector.